domingo, 13 de abril de 2008

M

Não lembro o nome do personagem desta história. Como a cidade onde atualmente vive, assim como a capital do estado, da mesma forma que o objeto responsável pelo ocorrido, e o produto o qual vende são palavras iniciadas com a letra "M", vou chamá-lo de Sr. M. O "Sr." é uma honraria, já que esta é uma história não autorizada.

Sr. M era um cidadão pacato em sua cidade natal, notado apenas pelos poucos amigos. Apreciador de plantas, principalmente as ervas naturais, aproveitou sua vasta lista de sites alternativos na internet para encomendar sementes de "M", e plantar oito pés na área de serviço do pequeno apartamento.

O conhecimento teórico do plantio, adquirido nestes sites, foi confirmado com o crescimento das mudas, o brotamento das folhas, o esvoaçar das idéias, o sucumbir da noção. Sr. M era uma pessoa bastante altruísta, e oferecia aos poucos amigos os frutos de seu plantio. Porém dependia de financiamentos para quitar dívidas, pagar aluguel, luz, telefone e encomendas. Então, aos poucos amigos, vendia "M" por um preço abaixo do mercado.

Todos sabiam, mas ninguém dizia, que as sementes de "M" do Sr. M eram as melhores da região. O bairro todo o conhecia, e Sr. M pôde assim quitar as dívidas e enfeitar seu apartamento com tudo o que sonhava. Um sofá novo, uma cama redonda, um aparelho de som potente e um DVD, estreado com o filme que acabou de chegar de Amsterdan, o "Cannabis Cup".

É, só que a boa vida estava com dias contados...

Num determinado sábado, Sr. M e um amigo assistiam ao tal DVD, vídeo dos apreciadores de sementes de "M" de todos os cantos do mundo. Comiam batatas fritas, bebiam cervejas caras e, lógico, também apreciavam "M". Ouviram, então, ao fundo, sons de sirene, e não eram do torneio.

O desespero subiu a espinha, era necessário fazer algo com os queridos pézinhos. Mas com os pensamentos fluidos, a solução encontrada foi despedir-se jogando-os no vaso sanitário mais próximo, idéia não muito furtiva, pois o tamanho do vasilhame onde estavam alojados os pés fez com que a privada entupisse.

Livrar-se dos agora malditos pés de "M" era obsessão, pois a campainha tocava, e eram os tiras (quem sabe esta história não vira um seriado americano?). O que fazer? Tudo, menos jogar pela janela da cozinha abaixo. Caiu justamente em cima do carro da polícia.

É, com a mente avoaçada, não pensou-se em outra coisa, não ocorreu outra coisa senão ir parar na delegacia, a ficar preso durante 21 dias. Sr. M, antes pacato cidadão da pacata cidade, que não é de Miracema do Norte, apesar de começar também com "M", agora estava nas capas dos principais jornais locais.

Pagou a fiança, ficou livre mas com a imagem manchada durante meses. Foi parar numa cidade que vamos chamar de "M", localizada a 125km da capital, que também começa com "M", e abriu um restaurante onde vende deliciosos pratos de "M" a preços não tão acessíveis.

Não planta mais "M", apenas pratos de "M". Porém ficou bastante interessado na dica de uma turista sobre adquirir sementes de "M", de diversos tipos e origens e ondas. Ela veio de um país, cujo nome também começa com "M".

Ok, esse texto ficou uma "M"...

2 comentários:

Rennê Nunes disse...

Mandioca realmente é a parada!

Marina Moreira disse...

pena que lisérgicos e psicodelia não são com "m". mui mui bom!