Porque é dela onde brotam fungos, transforma-se húmus, sucumbem túmulos, surgem larvas que se multiplicam e irradiam cheiro, cor e o ciclo da vida faz-se em flor.
quarta-feira, 24 de março de 2010
Que coisa lousa!
Mas sempre esqueço de comprar a lousa.
segunda-feira, 22 de março de 2010
Mais uma propaganda da guerra na telona
Claro que os filmes sobre guerra de hoje não são como os de antigamente. Silvester Stalone jamais seria chamado para refazer um novo tipo de Rambo, o herói que leva a bandeira dos Estados Unidos até o quinto dos infernos, mata milhões, não recebe um tiro e ainda conta piadinhas. Aliás, as piadinhas são um vício da prepotência estadunidense. Em todas as cenas de conflito há espaço para elas: significa que os "heróis" são lúcidos e seguros até em momentos de crise.
"Guerra ao Terror" até que mostra os conflitos mentais de seu herói, já que se trata de um experiente desarmador de bombas (daí o título original "The Hurt Locker", muito diferente do "slogan" que colocaram na versão brasileira, "Guerra ao Terror"). Mas em vez de seus conflitos atentarem para o que todo cidadão planetário de bem pede, ou seja, a paz, o herói do filme confirma a guerra, pior, a justifica, assim como parece pretender os produtores de Hollywood. A guerra além de ser "um vício", como diz o filme, gera muito dinheiro, seja tacando bombas, seja propagando o terror.
A mim, cidadão brasileiro, planetário e cinéfilo, menos me deixa pasmado o fato deste filme ter recebido o Oscar (já que ele é feito para a "America", e não para nós) do os aplausos de nossos ilustríssimos críticos de cinema, que tanto formam a opinião dos leitores.
Continuamos importanto "rambos enlatados" para passar em nosso horário nobre.
domingo, 21 de março de 2010
Eu ou Marx?

Da série: Grandes Dúvidas Existenciais
Fausto Wolff
- Não vem que não tem. Nós, as grandes dúvidas existenciais, já te vimos e não vamos largar do teu pé.
Nem na cama me dão paz. Outra noite, acordei suado, febril. Uma dúvida enorme pousada sobre meu peito perguntava:
- Deves escrever um artigo mandando todos os grandes publicitários do Brasil tomar na BUNDAS ou deves fundar uma revista chamada HIPOCRISIAS e pedir a colaboração de todos os publicitários do Brasil?
Fui ao banheiro fazer pipi e uma dúvida existencial menor gritou:
- Tens de ficar respingando em cima de mim ou deverias te dedicar a ações mais nobres, como tirar as dúvidas da população sobre as dúvidas do Ciro Gomes?
Essa dúvida em verdade era um dúvido, pois embora mais baixinha, tinha a cara do Harpo Marx. Deixei-a se limpando dos respingos e fui fazer um café. O dúvido saltou sobre a mesa e aproveitei para inquirir.
- Existe todo tipo de dúvida existencial?
E ele:
- Existe. Eu trato das causas menores, como por exemplo a dos protozoários que vivem dentro do cu de um rato morto. Estão sempre olhando para o lado de dentro (como as criaturas de Platão na caverna) e se perguntando: “Diante deste espaço infinito, devemos duvidar da existência de outras criaturas inteligentes?”
- Fala de um outro tipo de dúvida aí – disse eu, como os dois milhões de repórteres da TV que não sabem xongas sobre quem estão entrevistando.
Marx tirou uma luneta de gabardine.
- Neste momento – respondeu ele – há uma grande dúvida emergente atormentando o banqueiro Lordoso Rochinho. Tem quase noventa anos e é um dos maiores ladrões do Brasil. Está se perguntando em voz alta: “Uma vez que já sou triliardário em dólares, não deveria parar de roubar?” Sua mulher, dona Nenzinha, porém, acaba de matar a dúvida a tapa. “Deixa de frescura, Lordô, e pensa nos nossos tataranetos que ainda não nasceram.”
Marxinho acabou de tomar o café enquanto me ouvia dizer:
- Pensei que as grandes dúvidas existenciais só atacassem grandes homens como eu.
- Que nada, rapaz, existem mais dúvidas do que criaturas – disse ele, botando a lutena no olho direito. - Neste momento, por exemplo, Fernando Collor deve estar se perguntando se deve usar uma gravata Hermés, aspirar Erythroxylaceae por via anal ou ser prefeito de São Paulo. Lula não sabe se no próximo encontro com ACM lhe dá um beijo nos lábios ou nas mãos.
E Sua Majestade, Fernando Henrique Cardoso? - perguntei cheio de esperança.
- Neste momento, aproveitando-se do profundo sono de dona Ruth, ele se olha no gigantesco espelho do Palácio. Diante de tamanha beleza desvairada, diante de tamanha erudição sorbônica, se pergunta: “Devo mudar de marca de xampu ou devo pôr uma fita de seda nos cabelos? Devo incendiar o Brasil ou devo cair de joelhos diante de mais de 200 milhões de brasileiros e pedir perdão?”
Marx pulou da mesa e disse:
- A conversa está muito boa mas tenho...
E eu, interrompendo-o:
- Você não podia me dizer antes de ir embora qual será a decisão de Sua Majestade?
- Fita no cabelo é barbada e, entre as dúvidas existenciais, está devolvendo capital. Mais alguma coisa ou posso ir embora?
- Me tire uma última dúvida. Por que os meninos pensam mais do que as meninas e as meninas falam mais do que os meninos?
- Essa é mole. Os meninos têm duas cabeças e as meninas quatro lábios.
O dúvido vai embora e eu, nervoso em relação ao destino do Brasil, bebo meio litro de uísque de estalo. Uma lagosta sai de um buraco da parede. Será mais uma grande dúvida existencial que vem me assolar ou não passa de um reles delirium tremens de pobre jornalista tropical? Eu ou Marx?
Publicação original na Revista Bundas, 22 de setembro de 1999
sexta-feira, 12 de março de 2010
Adriano, imprensa e preconceito
Flamenguista e favelado. Tais características transformaram-se, na cabeça das pessoas, sinônimo de mau elemento. No caso de Adriano, que tem origem em um dos locais onde o tráfico de drogas mais se instaurou no Rio de Janeiro, associá-lo ao consumo de entorpecentes não é tarefa difícil.
Ainda não compreenderam, por descaso ou ignorância, a origem de Adriano.
"Nunca usei drogas, nunca provei nada. Quando falam do Adriano aumentam demais. De repente é porque moro na favela e aí associam. Mas lá tem coisas boas, pessoas boas, não vou sair de lá . Sempre fiz os exames e nunca fui acusado. Aí fico chateado porque as pessoas botam isso no jornal e tenho minha família. Ela se preocupa. Não tem nada ver. Meu filho vai à escola e vão dizer: 'seu pai é drogado'. Antes de falarem, têm de saber o que aconteceu."
A chamada para a reportagem onde se encontra este depoimento dizia que Adriano acusou preconceito, mas não dizia qual nem de quem.
Deve ter sido da terceira pessoa. Sabe a terceira pessoa? Aquela onde o sigilo da fonte do jornalista mais aparece.
- Adriano, dizem que você anda usando drogas. Isso é verdade?
O preconceito da imprensa foi preconceito social.
Matei um besouro

Um zumbido repentino me roubou a concentração, e quando olhei era um besouro posado de ponta cabeça ao lado da luz da sala. Não o queria ali, pois alguns insetos têm frequentado este apartamento ultimamente, sinal de que eu preciso arrumar isso aqui urgente. Olhei sua casca grossa e percebi que também me encarava. Era necessário uma medida drástica, pois certamente ele não me compreenderia e sairia em seguida voando pela janela. Mas não quis ser cruel. Dei-lhe duas opções: receber nesta casca grossa o perfume de um odorizante ou receber um belo jato de inseticida. Lógico que ele não iria me responder com palavras, então segurei cada lata com uma das mãos, levei-as às costas e sorteei sem olhar."Direita ou esquerda?" O besouro ficou em dúvida, precisava de ajuda, um inseto não é um bicho muito inteligente. Perguntei então de outra forma: "você é um besouro conservador ou é um besouro revolucionário?" Como um fóssil, ele não se movia, demonstrando muita tranquilidade. Este besouro não se intimidava em conviver com humanos. Devia ser um besouro revolucionário. Era de esquerda, sem dúvida. Apertei a mão esquerda e disse: "Seu destino está traçado, besouro".
Juro, eu não sabia qual mão segurava qual lata. Também não consegui associar qualquer relação com o que chamam de "esquerda", mas foi Uma pena a mão direita segurar o odorizante, talvez o besouro não morresse. Após o jato, ele caiu em espiral até o chão, exibiu a barriga amarela para cima, sacudiu as perninhas por uns instantes e aí sim virou um fóssil.
Não sei se tive pena do besouro. Este era seu destino.
quarta-feira, 10 de março de 2010
nhac
Mas não tenho fogão.
Às vezes passo os dias cozinhado
Numa panela de pressão.
Às vezes passo os dias cozinhando, ,
Todos os meus dias
Só para degustação.
Às vezes mato,
Às vezes morro,
Às vezes caço,
Às vezes corro.
Às vezes olho nos olhos,
Às vezes dento os dentes,
Às vezes mordo.
Às vezes entro em ebulição no são e salvo baile paroquial.
Às vezes fervo na mais fria estação e esquento o canavial.
Às vezes grito no pé do ouvido de quem quiser escutar.
Às vezes ouço inadvertido o que o outro tem a gritar.
Às vezes, como um bicho, como com a mão,
Às vezes como mesmo cru ou mesmo frito,
Às vezes passo os dias mergulhado em banho Maria.
Às vezes ardo, queimo como cristalizado gelo ou como chama viva.
Tenho fogo mas não tenho fogão
domingo, 17 de janeiro de 2010
A Tábua de Esmeralda
(1) Verum sine mendacio, certum et verissimum:
(2) Quod est inferius est sicut quod est superius, et quod est superius est sicut quod est inferius, ad perpetranda miracula rei unius.
(3) Et sict omnes res fuerunt ab Uno, mediatione unius, sic omnes res natæ fuerunt ab hac una re, adaptatione.
(4) Pater ejus est Sol, mater ejus Luna;
portavit illud Ventus in ventre suo; nutrix ejus Terra est.
(5) Pater omnes Telesmi totius mundi est hic.
(6) Vis ejus integra est, si versa fuerit in Terram.
(7) Separabis terram ab igne, subtile a spisso, suaviter, cum magno ingenio.
(8) Ascendit a terra in cœlum, interumque descendit in terram et recipit vim superiorum et inferiorum.
(9) Sic habebis gloriam totius mundi.
(10) Ideo fugiet a te omnis obscuritas.
(11) Hic est totius fortitudinis fortitudo fortis: quis vincet omnem rem subtilem omnemque solidam penetrabit.
(12) Sic mundus creatus est.
(13) Hinc erunt adaptationes mirabiles quarum modus est hic.
(14) Itaque vocatus sum Hermes Trismegistus, habens tres partes philosophiæ totius mundi.
(15) Completum est quod dixi de Operatione Solis.
Tábua de Esmeralda (tradução)
(1) É verdade, certo e muito verdadeiro:
(2) O que está em baixo é como o que está em cima e o que está em cima é como o que está em baixo, para realizar os milagres de uma única coisa.
(3) E assim como todas as coisas vieram do Um, assim todas as coisas são únicas, por adaptação.
(4) O Sol é o pai, a Lua é a mãe, o vento o embalou em seu ventre, a Terra é sua alma;
(5) O Pai de toda Telesma do mundo está nisto.
(6) Seu poder é pleno, se é convertido em Terra.
(7) Separarás a Terra do Fogo, o sutil do denso, suavemente e com grande perícia.
(8) Sobe da terra para o Céu e desce novamente à Terra e recolhe a força das coisas superiores e inferiores.
(9) Desse modo obterás a glória do mundo.
(10) E se afastarão de ti todas as trevas.
(11) Nisso consiste o poder poderoso de todo poder:
Vencerás todas as coisas sutis e penetrarás em tudo o que é sólido.
(12) Assim o mundo foi criado.
(13) Esta é a fonte das admiráveis adaptações aqui indicadas.
(14) Por esta razão fui chamado de Hermes Trismegistos, pois possuo as três partes da filosofia universal.
(15) O que eu disse da Obra Solar é completo.
Duas duras realidades
Dura realidade I "Quando a lenda se transforma num fato, publica-se a lenda", disse o jornalista sensacionalista do clássico f...
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Calhou, brincalhona, Da calha cair Lá de cima E cada retalho de telha Entediar-se. Brinca de ser brinquedo. Desse pra ser sério, Brinquedo n...
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"O racismo sempre existirá enquanto os homens continuarem a ser caricaturas de homens, bois movidos a dinheiro, pouco ou nada conhecend...
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Sinto muito, major, Mas cê não é o maior, Cê é só um diletante Perto do comandante Que se porta de capacho Diante do generalato Que...