Quando o mundo inteiro gritar,
Você irá se ouvir?
Porque é dela onde brotam fungos, transforma-se húmus, sucumbem túmulos, surgem larvas que se multiplicam e irradiam cheiro, cor e o ciclo da vida faz-se em flor.
sexta-feira, 3 de maio de 2013
Barcas
Passo
Sou mais um elemento desta manada
Que fecha os olhos para a bela vista da Baía de Guanabara.
Abrem-se as porteiras, cerram-se os gestos,
Abraços tão distantes, braços tão pertos,
Cada um por si, deus contra todos,
Neste pega pra capar corra atrás
Do seu lugar.
Sento ao lado de uma bela donzela.
Será que traça um futuro
Ou já está com a vida traçada?
Postes ambulantes enforcados
Por terno e gravata,
Gaivotas voam baixo
Preocupadas com noticiários.
Sereias saem da água poluída,
Estampam os outdoors.
Bois ruminam resmungos aos berros.
A barca do inferno está a zarpar
Até a Terra de Arariboia.
A independência já foi compreendida,
Resta abandonar o barco.
Ou seria o berço?
Sou mais um elemento desta manada
Que fecha os olhos para a bela vista da Baía de Guanabara.
Abrem-se as porteiras, cerram-se os gestos,
Abraços tão distantes, braços tão pertos,
Cada um por si, deus contra todos,
Neste pega pra capar corra atrás
Do seu lugar.
Sento ao lado de uma bela donzela.
Será que traça um futuro
Ou já está com a vida traçada?
Postes ambulantes enforcados
Por terno e gravata,
Gaivotas voam baixo
Preocupadas com noticiários.
Sereias saem da água poluída,
Estampam os outdoors.
Bois ruminam resmungos aos berros.
A barca do inferno está a zarpar
Até a Terra de Arariboia.
A independência já foi compreendida,
Resta abandonar o barco.
Ou seria o berço?
Ninfectado
Infectado por ninfas voadoras,
Borboletas e mariposas,
Quedei-me febril.
Coração a mil
Ensopou-me a camisa.
Vento frio, cortante brisa,
Paralisava-me num ardil.
Envolvia-me sem medo,
Entregava-me sem mágoa.
Paixão de água,
Coração de pedra,
Tanto bate
Até que quebra.
Nunca ouvi explicação
De que a paixão
É uma doença sem cura.
Nem tente entender,
Criatura.
Acabei de ser
Ninfectado.
Borboletas e mariposas,
Quedei-me febril.
Coração a mil
Ensopou-me a camisa.
Vento frio, cortante brisa,
Paralisava-me num ardil.
Envolvia-me sem medo,
Entregava-me sem mágoa.
Paixão de água,
Coração de pedra,
Tanto bate
Até que quebra.
Nunca ouvi explicação
De que a paixão
É uma doença sem cura.
Nem tente entender,
Criatura.
Acabei de ser
Ninfectado.
Endereço
- Qual é a sua rua?
- Eu não tenho rua alguma.
Eu moro de aluguel.
Eu só tenho casa desenhada
Em pedaço de papel.
- Qual é seu endereço?
Me diz que eu compareço.
- Eu moro nas esquinas
Desta via, que ainda
Desconheço.
- Qual é o seu planeta,
Seu país, seu continente?
- Capaz que meu nariz
Se meta ou passe rente.
Capaz de eu não ser lembrado
Para o seu aniversário.
Provável de eu aparecer
E me oferecer como presente.
- Aonde você vive?
Será que aí um dia eu já estive?
Me convide como seu anfitrião
Mesmo vendados os olhos,
Guiado pelo coração,
O seu bairro eu conheço
Com a palma da minha mão.
- Eu não tenho rua alguma.
Eu moro de aluguel.
Eu só tenho casa desenhada
Em pedaço de papel.
- Qual é seu endereço?
Me diz que eu compareço.
- Eu moro nas esquinas
Desta via, que ainda
Desconheço.
- Qual é o seu planeta,
Seu país, seu continente?
- Capaz que meu nariz
Se meta ou passe rente.
Capaz de eu não ser lembrado
Para o seu aniversário.
Provável de eu aparecer
E me oferecer como presente.
- Aonde você vive?
Será que aí um dia eu já estive?
Me convide como seu anfitrião
Mesmo vendados os olhos,
Guiado pelo coração,
O seu bairro eu conheço
Com a palma da minha mão.
Da boa ação
Será que os bonzinhos realmente só se fodem?
Ou será que vale a pena, apenas,
A boa ação que verdadeiramente os locomovem?
Vai vendo.
"Não se pode vender o que se tem de melhor pra dar".
Já dizia o teatro amador nos Arcos da Lapa.
Ou será que vale a pena, apenas,
A boa ação que verdadeiramente os locomovem?
Vai vendo.
"Não se pode vender o que se tem de melhor pra dar".
Já dizia o teatro amador nos Arcos da Lapa.
Alvo em mim
Viciado em severas sevícias
Com esta alma torta
Que tortura quem mira
Quero poder confiar no semelhante
Que vem vindo na contramão.
Quero guardar a hipocrisia a sete chaves
E superar o momento em que a colhi.
Quero dar de frente com a moral
Para entender o significado de ser normal.
Ou será eu, que construí-me, confiante,
Sem noção da perda da razão?
Parei, pensei, a vida seguiu adiante.
Me disse "mais ação, menos reação".
E me tornei um reflexo deste instante
O nexo é ser flecha
Sempre na dela
Apenas a esperar
O alvo envolvê-la.
Com esta alma torta
Que tortura quem mira
Quero poder confiar no semelhante
Que vem vindo na contramão.
Quero guardar a hipocrisia a sete chaves
E superar o momento em que a colhi.
Quero dar de frente com a moral
Para entender o significado de ser normal.
Ou será eu, que construí-me, confiante,
Sem noção da perda da razão?
Parei, pensei, a vida seguiu adiante.
Me disse "mais ação, menos reação".
E me tornei um reflexo deste instante
O nexo é ser flecha
Sempre na dela
Apenas a esperar
O alvo envolvê-la.
quarta-feira, 24 de abril de 2013
Andamento
Presto
Mas não valho nada.
Andante,
Personagem importante
Da história desta rua
Além da beira da estrada.
Alegro,
Sorrio, divirto, rio
Às vezes sai até gargalhada.
Alegro mas nem tanto.
Faço do choro pranto:
O ritmo de bate-pronto
Faz bater o coração
E um poema meio tonto,
Recitado de canto em canto,
Pode até virar canção.
Moderado,
Será que passo calculado
Também dança?
Ou simplesmente,
Bate o ritmo no peito,
Contagia de jeito,
E o suingue sai da pança?
E o poema que foi música
Contagia a nova musa
E isso tudo vira dança.
Mas não valho nada.
Andante,
Personagem importante
Da história desta rua
Além da beira da estrada.
Alegro,
Sorrio, divirto, rio
Às vezes sai até gargalhada.
Alegro mas nem tanto.
Faço do choro pranto:
O ritmo de bate-pronto
Faz bater o coração
E um poema meio tonto,
Recitado de canto em canto,
Pode até virar canção.
Moderado,
Será que passo calculado
Também dança?
Ou simplesmente,
Bate o ritmo no peito,
Contagia de jeito,
E o suingue sai da pança?
E o poema que foi música
Contagia a nova musa
E isso tudo vira dança.
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