domingo, 25 de julho de 2010

Quando Deus cansa de brincar...

Ônibus indo a praia. De repente pergunto a uma senhora ao lado.
- Você não acha deus meio esquizofrênico?
A mulher, religiosa, finge não ouvir, preocupa-se com os cinco filhos pendurados nos ferros do lotação. Reclama em resmungos:
- Jesus Cristo de Nazaré, tudo gente mal educada, não vê as crianças.

Até que, depois de tantos lamentos, solta uma frase agradecida:
- Graças a Deus não está muito sol...
- Graças a deus? Eu queria que tivesse sol! Tá vendo porque ele é esquizofrênico? Eu fiquei torcendo pra abrir o tempo, e a senhora me vem agradecendo a deus por ele deixar o dia nublado. Culpa da senhora.

O motorista dá uma freada brusca e todos são jogados para frente.

No céu, São Pedro diz:
- Senhor, por que fizeste isto?
- Ah, me deu vontade, enjoei de brincar - disse Deus, largando o ônibus de brinquedo.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Vale mais um sorriso falso ou um rosto fechado?
Extremos que vemos todos os dias.
Quem melhor responderia?
Uma alma superficial sedenta por euforia,
Ou um ente empático viciado na melancolia?

Entre um extremo e outro,
O espectro onde o olhar se cumprimenta
Ou se digladia.

Mais vale mesmo um sorriso que contagia,
Como se todo o tempo do mundo
Fosse oportuno.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Pangaré

Ganhei um cavalo que me mostrou os dentes.
Disse que valia muito, e como não sou santo,
desconfiei.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Giroscópio

Escrever é pousar
O pensamento numa folha de papel.
É deixar-se levar psicografando a si mesmo.
É desenhar no ar duplas hélices,
Em trajetórias helicoidais,
Correndo como um cão corre
Atrás do próprio rabo,
Em tempos em que, muitas vezes,
Se faz do rabo alheio o parâmetro.
Isso quando o rabo alheio
Não sai do próprio rabo!

Surfar como um avião em queda,
Ou como um gavião em caça
Ou um átomo que brilha
Na constelação molecular,
Na matéria, na massa
Cinzenta e branca,
No movimento mental que envolve
A cintura escapular,
Ou A região pélvica
E penteia o topete da pelvis,
E pendurado pousa,
Pausadamente,
Paulatinamente.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Por favor, nome aos bois...

E se fosse habitual
O tribunal popular
Em cada Praça Central?
Se fosse distribuída
Em cestas básicas
A palmatória?
Que poderia ser utilizada
Em ano eleitoral,
Melhor que qualquer ficha
Suja ou limpa.
Os políticos que merecerem
Estarão convocados
A estar na Praça Central
Na data do pleito eleitoral
E receberiam a desforra
Da população jogada à
Esbórnia.
Isso seria justiça
Democrática,
Republicática,
Igualitática,
Nada de politiquês,
Nem economês,
Nem juridiquês.
Compreenderiam os tucanos,
Os faisões,
As aves de rapina
Que sobrevoam
A enciclopédica,
A verdadeira e popular
Gramática.



*1 Sérgio Dourado foi um milionário que investiu no mercado imobiliário carioca até falir.

*2 Não tenho a mínima ideia de quem seja Edson Carreira.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Ah, Felicidade...

A Felicidade sempre me visita
Mas sempre vai embora...
Ela sabe que é de casa.
Tem a mania de ser arredia,
Escorregadia feito água viva,
E frágil como cristal.
Será que até o fim dos dias
Sempre voltará da forma vigorosa
Como sempre me apareceu?
Se sim, valerá a pena viver
Até meu último suspiro.

Duas duras realidades

Dura realidade I "Quando a lenda se transforma num fato, publica-se a lenda", disse o jornalista sensacionalista do clássico f...