domingo, 17 de janeiro de 2010

A Tábua de Esmeralda

Tabula Smaragdina

(1) Verum sine mendacio, certum et verissimum:
(2) Quod est inferius est sicut quod est superius, et quod est superius est sicut quod est inferius, ad perpetranda miracula rei unius.
(3) Et sict omnes res fuerunt ab Uno, mediatione unius, sic omnes res natæ fuerunt ab hac una re, adaptatione.
(4) Pater ejus est Sol, mater ejus Luna;
portavit illud Ventus in ventre suo; nutrix ejus Terra est.
(5) Pater omnes Telesmi totius mundi est hic.
(6) Vis ejus integra est, si versa fuerit in Terram.
(7) Separabis terram ab igne, subtile a spisso, suaviter, cum magno ingenio.
(8) Ascendit a terra in cœlum, interumque descendit in terram et recipit vim superiorum et inferiorum.
(9) Sic habebis gloriam totius mundi.
(10) Ideo fugiet a te omnis obscuritas.
(11) Hic est totius fortitudinis fortitudo fortis: quis vincet omnem rem subtilem omnemque solidam penetrabit.
(12) Sic mundus creatus est.
(13) Hinc erunt adaptationes mirabiles quarum modus est hic.
(14) Itaque vocatus sum Hermes Trismegistus, habens tres partes philosophiæ totius mundi.
(15) Completum est quod dixi de Operatione Solis.

Tábua de Esmeralda (tradução)

(1) É verdade, certo e muito verdadeiro:
(2) O que está em baixo é como o que está em cima e o que está em cima é como o que está em baixo, para realizar os milagres de uma única coisa.
(3) E assim como todas as coisas vieram do Um, assim todas as coisas são únicas, por adaptação.
(4) O Sol é o pai, a Lua é a mãe, o vento o embalou em seu ventre, a Terra é sua alma;
(5) O Pai de toda Telesma do mundo está nisto.
(6) Seu poder é pleno, se é convertido em Terra.
(7) Separarás a Terra do Fogo, o sutil do denso, suavemente e com grande perícia.
(8) Sobe da terra para o Céu e desce novamente à Terra e recolhe a força das coisas superiores e inferiores.
(9) Desse modo obterás a glória do mundo.
(10) E se afastarão de ti todas as trevas.
(11) Nisso consiste o poder poderoso de todo poder:
Vencerás todas as coisas sutis e penetrarás em tudo o que é sólido.
(12) Assim o mundo foi criado.
(13) Esta é a fonte das admiráveis adaptações aqui indicadas.
(14) Por esta razão fui chamado de Hermes Trismegistos, pois possuo as três partes da filosofia universal.
(15) O que eu disse da Obra Solar é completo.

Coração azulejado

E posto o pranto fatigando o coração
Quebranto e doce, de azulejo de algodão.
Pensou que fosse primazia da emoção,
Que por espanto dispersou o seu cordão.

Logo atirou-se num abismo redentor.
A fresca brisa descaída era vetor,
Vapor etéreo d'um impregnante olor
Do fatigado azulejo a recompor.

O coração quebranto novo nesta queda
Partiu-se em cacos, pulverizou-se
Em cinzas sem meta nem querela.

De cima flerta tinta tenra e incerta,
Anil que noutro dia esverdeuou-se,
Como a dor já não sentida pois singela.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Repente

De repente
Tudo o que precisa
Agora
são uns 7 ou 8 clichês

De repente
Não mais que de repente
O amor foi deixado
Por motivo burguês

De repente
Quando a vida se engana
O coração reclama
Do que não é capaz

Não explique
Por você ter saído
O que não tem sentido
É que eu sinto demais

Roberta Sofia Estevam Loren

Pô!

Senti dor, sem ti, dor
Sem ti, dor, senti dor

Sem sentido
Sem tido ou sido
Se devo, se levo,
Não nego, não sinto
Se tido, me tive
Metido entretido

No pretérito,
ou aurélio
no cérebro,
nem sóbrio,
nem ébrio,

nem falo sério,
Misto mistério
Meu isto,
Me disto, me dispo,
Me diz, pô!
- Pô!
- Há!

Verborrágico

Oniomania farmacêutica,
Pirocleptomaníaco,
Paranormalidade médica,
Protocolaridade mágica,
Onanismo masoquista,
Catatonia contemporânea,
Esquizofrenia nostálgica,
Afro-nipo-anglo-brasileiro,
Demoniacamente democrático,
Taciturnamente verborrágico!

AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAh!

Três por quatro

Minha sorte
Vem sortida
Com surpresa
Sem certeza,
Tão surtada,
Tão vadia,
É de graça,
De bandeja.

Minha morte
Vem tardia.
Se espero,
Eu não vivo.
Vou sincero,
Vou sem medo.
Nem preciso
Sobreaviso.

Minha vida
É sadia.
Adoece
De tristeza.
Paraliza
Se vazia
E se move
De alegria.

Vou sambando,
Desvalido,
Vou trotando,
Enlouquecido,
Amanheço
Taciturno,
Anoiteço
E me mudo.

Retado retardado

Não vou voltar pro meu sertão
Pois nunca estive por lá
Eu peguei minha viola
E enchi minha sacola
Fui sair pra vadiar.

Meu sertão é o meu mar,
Meu riacho é minha rua.
Sou um cidadão do campo,
Sou capiria com um trampo
Meu trabalho é caminhar.

Nas porteiras sempre abertas,
Vou seguindo em linha reta
Vou entrando em bar em bar.
Pois a pinga é minha água,
Minha vida é na estrada,
Já passei neste lugar.

Duas duras realidades

Dura realidade I "Quando a lenda se transforma num fato, publica-se a lenda", disse o jornalista sensacionalista do clássico f...