domingo, 3 de fevereiro de 2019

A bunda abunda

Ao menos se discute
A bunda que evolui
Que cresce na cabeça
E despe e que conduz

A bunda é sujeita
A ser um objeto
A bunda está em todos
No pai, no avô, no neto

Bunda que rebola
Que baila toda noite
Bunda que amortece
O delicado açoite

A bunda é cobiçada
É cheia de fartura.
Tem carne e tem gordura
Pra queimar numa estufa.

A bunda é um começo
De um grande canal
Mas pode ser um fim
Questão vetorial


Bunda que protege
Tamanha estrutura
Balança e amortece
E quica nas alturas

Bunda fotogênica
De estrias escondidas
Que ocupa dois assentos
De tão desinibida



A bunda é a resposta
Tá na mente das massas
Mas se perde a aposta
Por ela nada passa

É bunda maquiada
Na tela da edição
Moleza amenizada
Pra nacional paixão

A bunda é ativa
Como força motriz
E dela se apropria
A imagem de um país

Também é genitália
Faz parte do conjunto
Bunda é matemática
Espelho deste mundo

A sua bunda
A sua bunda
A sua bunda
Sua

A bunda sua
A bunda sua
A bunda sua
Abunda

quinta-feira, 24 de janeiro de 2019




Pantomimeiros,
Pelos rostos vejo o quanto bostejam
Do alto de seus poleiros
Fingindo-se sorrateiros...
Mal sabem o quanto são dissimulados.
Fazem do escárnio seu ofício,
Despejam desafios pelos orifícios.

Pantomimeiros,
Se estão no firmamento postos,
Seria o néctar dos deuses
Chás alucinógenos?
Seria o céu paraíso
De Dionísio ou Baco?
Ou estaria eu
De cabeça para baixo?

Produto Interno Puto e a desordem natural das coisas




A desordem dos fatores
- Felicidade é riqueza,
Riqueza não é felicidade
- Altera nosso Produto
Interno Puto.

terça-feira, 22 de janeiro de 2019

Ô, rapaz


Ô rapaz, ô rapaz,
O que você faz,
Ô, rapaz?

- Um rap
Da guerra,
Um rock
Da paz,
Um muro
Da casa,
Um livro
A mais,
Um ponto
Suado,
Um bico
Forçado,
Um quinto
Cobrado
Pelo
Capataz.

- Uma rima
Rimada,
Uma rumba
Roubada,
Um rombo
Por cima do ombro,
Um ramo
Pra baixo do escombro,
Uns fatos
Malfeitos,
Uns fetos
Feridos,

Umas fitas
Surtadas,
Umas fotos
Fajutas.

Ô rapaz, ô rapaz,
Quem te conhece
Te esquece,
Rapaz?

- Uma mina
Do bairro,
Um mano
Bolado,
Um modo
Proibido,
Um mundo
Privado,
Um fardo
Diário,
Uma foda
Zerada,
Um filho
Bastardo,
Uma fruta
Mofada,

Um ingresso
Intimado,
Um impasse
Sobre a vida.

Ô rapaz, ô rapaz,
Do que você é
Capaz?

Ser um a menos,
Ser um a mais.

- Somai,
Samurai,
Somai.

Sempre bom lembrar (descrição)

Porque é dela onde brotam fungos, transforma-se húmus, sucumbem túmulos, surgem larvas que multiplicam-se e irradiam cheiro, cor e o ciclo da vida faz-se em flor.

Sempre bom lembrar.

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Homem lixo


 Se pensasse em comida, a fome batia, remoía o estômago e trepidava as pernas finas. Era melhor ser tão vazio na cabeça quanto na barriga. Se resmungasse do frio, estremecia o tronco e não se movia. Nem forças mais tinha para esmolar, nem necessário era franzir os sulcos do rosto em expressão de quem clama por qualquer miséria. Deixava a aflição acometê-lo naturalmente. Na esquina a pena não estava mais, e ele era um empecilho, se se notasse, perceberia como a inconveniência personificava-se em sua pessoa. Um indigente que ainda se sustentava nos pés descalços de gigantes unhas tortas e encravadas. Não se vestia, era enrolado por farrapos encardidos que antes eram roupas. A pele morena escura era mais escurecida pelas cracas gordurentas, o cabelo crespo era tufos ensebados. O rosto inchado esbugalhava os olhos avermelhados. O olhar direcionava-se ao nada.

Certa vez porém saiu da inércia. Moveu-se lentamente em direção a uma lixeira laranja de plástico pregada no poste mais próximo. A razão poderia ser a fome, a angústia, a vontade de se mover para espantar o frio. Sabe-se lá o motivo que estendeu o braço e o enfiou na boca estreita da lixeira, quase entupida. Quanto mais enfiava, mais lixo saltava. Perseverante, notou que cabia mais de seu corpo. Desejava ser engolido por ela. De repente, a lixeira, como se o ajudasse, moveu-se em sua direção, esticando as laterais da boca para que o coubesse. O braço direito entrou por completo. Alguns copos plásticos, sacos de biscoito e latas de refrigerante caíram no chão para dar-lhe mais espaço. Arriscou o braço esquerto, sem dificuldades. A cabeça poderia entrar com alguns centímetros de boca mais aberta. Raspou alguns tufos na entrada, ralou a testa, saiu sangue, mas conseguiu enfiar o crânio. Era só deixar deslizar o tronco e o restante do corpo.

Por fim, sumiu do mundo externo ao recipiente. Fez daquela lixeira de plástico laranja seu abrigo. Lá dentro era possível encontrar toneladas de material que se reciclado poderiam o tornar milionário, quilos e mais quilos de matéria prima que se usada de forma sustentável o manteria vivo por décadas, comida abundante capaz de alimentar um terço da população mundial, e mais da metade da água potável do mundo, que se utilizada pelos de lá de fora com responsabilidade, jamais haveria sede, terras desgastadas e desigualdades entre seres humanos.

Preferiu ficar ali dentro para sempre, pequeno diante de tanta fartura. Era ele, o lixo e todo desperdício do mundo.

terça-feira, 1 de abril de 2014

Homem-macaco-homem



Homem-macaco:
Antes era fácil subir em árvore para colher fartas pencas.
Hoje gasta milhões na maior das tecnologias para arrancar uma banana saborosa, geneticamente modificada.

Macaco-homem:
Preso atrás das grades no zoológico, sorri para não encarar a solidão o chimpanzé tabagista. Não sabe se prefere a extinção ou se candidata a prefeitura.


Duas duras realidades

Dura realidade I "Quando a lenda se transforma num fato, publica-se a lenda", disse o jornalista sensacionalista do clássico f...